Tempo integral e currículo flexível serão opcionais no ensino médio, diz MEC
Secretária-executiva disse ao G1 que reforma aponta norte, mas escolas podem manter parte do formato atual. Base Nacional terá discussão retomada.
A secretária-executiva do Ministério da Educação (MEC), Maria Helena
Guimarães de Castro, afirmou nesta sexta-feira (23), em entrevista ao G1,
que as escolas públicas e privadas do Brasil não serão obrigadas a
cumprir dois eixos da reforma do ensino médio: oferta do tempo integral e
currículo flexível.
Além disso, Maria Helena reiterou que o único aspecto que vai afetar a
todos indistintamente, que é o conteúdo mínimo que passará a ser
obrigatório, depende do que será aprovado em nova rodada de discussão da
Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio.
A Base vai determinar, inclusive, o conteúdo de disciplinas como artes, filosofia, sociologia e educação física que será ensinado. Na versão final da medida provisória, o governo voltou atrás e manteve a obrigatoriedade temporária dessas disciplinas até que a BNCC seja concluída. "Até a próxima base, continua tudo como está. (Mas) não adianta nada ter uma hora de arte, uma hora de filosofia, uma hora de sociologia e uma hora de educação física por semana. Isso não resolve", afirmou Maria Helena.
A Base vai determinar, inclusive, o conteúdo de disciplinas como artes, filosofia, sociologia e educação física que será ensinado. Na versão final da medida provisória, o governo voltou atrás e manteve a obrigatoriedade temporária dessas disciplinas até que a BNCC seja concluída. "Até a próxima base, continua tudo como está. (Mas) não adianta nada ter uma hora de arte, uma hora de filosofia, uma hora de sociologia e uma hora de educação física por semana. Isso não resolve", afirmou Maria Helena.
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Mendonça Filho, ministro da Educação, e Maria Helena,secretaria-executiva do MEC.
(Foto: Mateus Bonomi/Futura Press/Estadão Conteúdo)
A BNCC, segundo ela, será reavaliada em seminários estaduais para
depois ser alvo de audiências públicas e deliberações do Conselho
Nacional de Educação (CNE). A expectativa é que ela seja aprovada até o
fim de 2017.A reforma do ensino médio foi apresentada na quinta-feira (22) como
uma medida provisória. Apesar de já ter sido publicada e ter entrado em
vigor, os efeitos imediatos são praticamente nulos. Além disso, a MP
ainda vai passar por análise em comissão no Congesso, e por votações na
Câmara e no Senado que podem alterar seu conteúdo. Essa tramitação
precisa ocorrer em até 120 dias para que ela não deixe de ter valor
legal.Tempo integral
A medida provisória determina que, progressivamente, as escolas
aumentem suas cargas horárias até oferecer 7 horas por dia de aula. Mas
não estipula metas nem sanções. "Não é obrigada (a adotar o tempo
integral). O Plano Nacional de Educação estabelece que até 2024 o Brasil
deverá ter 50% do total das suas escolas publicas em regime de tempo
integral. (...) O que estamos criando é uma política de fomento. Nem
todas as escolas serão de tempo integral, e nós sabemos que isso não é
possível, mas nos queremos criar um número maior de escolas em tempo
integral", disse Maria Helena.
"Esse é um processo gradual e muito, muito lento, porque hoje os sistemas de ensino não estão preparados para isso. "
"O que estamos dizendo é que, para ter uma jornada de 7 horas por dia,
você precisa evoluir para 1,4 mil horas por ano. Mas esse é um processo
gradual e muito muito lento, porque hoje os sistemas de ensino não
estão preparados para isso. O ideal seria que todos os sistemas de
ensino começassem oferecendo no mínimo cinco horas por dia, depois
aumentar para seis e depois para sete. É um processo que demora e não é
simples", disse.
Currículo flexível
Outro eixo da reforma é a "flexibilização" do currículo. Após oferecer
uma conteúdo mínimo, que deve consumir ao todo metade do tempo do
ensino médio (1,2 mil horas), as escolas estarão liberadas para oferecer
a "ênfase" em uma das cinco áreas a seguir:
Mas a oferta desses "aprofundamentos", segundo o que está expresso
hoje no texto da MP, também pode vir a ser ignorado sem punição para as
redes de ensino.
"As escolas não são obrigadas a oferecer todas as ênfases. Elas podem optar, oferecer uma só. Se ela não quiser oferecer nenhuma ênfase, ela pode continuar fazendo o que ela quiser, desde que ela cumpra a Base Nacional Comum"
"As escolas não são obrigadas a oferecer todas as ênfases. Elas podem
optar, oferecer uma só. Se ela não quiser oferecer nenhuma ênfase, ela
pode continuar fazendo o que ela quiser, desde que ela cumpra a Base
Nacional Comum", disse Maria Helena.
Especialistas em educação
apontam que, até mesmo para a rede privada, a oferta de áreas de ênfase
vai esbarrar na limitação de recursos, pois onde antes havia apenas uma
turma seguindo o mesmo conteúdo, se adotado plenamente a reforma, o
colégio teria que estar apto a oferecer ao menos quatro, uma para cada
itinerário formativo.
Básico em artes, filosofia, sociologia e educação física
Um dos pontos polêmicos da reforma foi o fato de o texto da MP retirar
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) a garantia explícita de
que algumas disciplinas já consolidadas (artes, educação física,
filosofia e sociologia) deveriam ser aplicadas no ensino médio.
Somente português, matemática e inglês são citados como obrigatórios:
os conteúdo mínimo que deve ser ensinado das atuais 13 disciplinas vai
depender do que for aprovado na BNCC do ensino médio.
O MEC tem buscado ressaltar que não "eliminou" disciplinas do ensino
médio. Na versão final da MP divulgada nesta sexta-feira (23), apesar
de ter retirado a obrigatoriedade, o MEC estipulou que elas devem
permanecer na grade até a aprovação da nova BNCC.
"Elas continuam sendo obrigatórias até a aprovação da próxima Base Nacional Comum Curricular, que deverá, muito certamente, aprovar na parte comum a inclusão dessas disciplinas", afirma a secretária-executiva. "Agora, na parte flexível, essas disciplinas deverão estar integradas em áreas de conhecimento", afirma. "Não adianta nada ter uma hora de arte, uma hora de filosofia, uma hora de sociologia e uma hora de educação física por semana. Isso não resolve."
"O mais importante é poder ter um aprofundamento acadêmica na área.
Não adianta nada ter uma hora de arte, uma hora de filosofia, uma hora
de sociologia e uma hora de educação física por semana. Isso não
resolve. É muito mais importante eu ter uma área de aprofundamento de
filosofia, de sociologia e história, na parte flexível, que me permita
aprofundar o tema e fazer o aluno aprender a pensar, a questionar, a
investigar, do que ter um monte de fragmentos de filosofia e sociologia
que muitas vezes não vão acrescentar muito na formação do jovem ",
disse.
http://g1.globo.com/educacao/noticia/tempo-integral-e-curriculo-flexivel-serao-opcionais-no-ensino-medio-diz-mec.ghtml |

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