Contribuição de Vera Barberino
Folha de São Paulo
| Moacyr Lopes Junior/Folhapress | ||
| Alunos da escola Alexandre von Humbolt, durante a aula de educação artística |
Representantes do Ministério da Educação já cogitam a possibilidade de que o início do novo modelo de ensino médio anunciado pelo governo demore mais tempo do que o previsto e fique apenas para 2019.
Segundo a secretária-executiva da pasta, Maria Helena Guimarães, a data depende do andamento do debate sobre a base nacional curricular comum, documento que irá definir quais conteúdos que permanecem como obrigatórios para serem ensinados pela rede de ensino –o restante, de acordo com a proposta, deve ser flexibilizado e escolhido pelo aluno.
Até então, o governo falava em ter as primeiras turmas do novo modelo já no início de 2018, com possíveis testes no ano que vem por redes interessadas.
O governo também aproveitou a divulgação dos dados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por escola nesta terça-feira (4) para rebater críticas sobre a proposta, anunciada pelo governo no último mês por meio de uma medida provisória, hoje em análise no Congresso.
Na apresentação, Guimarães destacou que escolas com mais alunos de maior nível socioeconômico -indicador que considera escolaridade dos pais, posse de bens e contratação de serviços– apresentam médias maiores no Enem do que aquelas com mais alunos de nível mais baixo.
"Do grupo de alto nível socioeconômico para o médio há uma diferença de 100 pontos, que é muito grande e quase absurda", afirmou a secretária. "Ter mais de 100 pontos de diferença revela a enorme desigualdade no ensino médio. Muitos alegam que a reforma vai aumentar a desigualdade, mas é o contrário, ela vai promover maior equidade ao sistema. Os alunos dos estratos inferiores de renda nem se inscrevem para fazer o Enem. Que igualdade é essa?", disse, em tentativa de rebater as críticas de educadores que temem que o novo modelo acentue ainda mais as diferenças da rede.
Mesma posição foi apresentada pela presidente do Inep, Maria Inês Fini. "Os resultados vêm acrescentar mais uma vez a imperiosa necessidade de reforma do ensino médio. Temos contingente enorme de alunos que estão aprendendo muito pouco, e de maneira muito conservadora e tradicionalista e por um currículo que precisa ser reformulado", disse.
Questionadas, as duas representantes evitaram comentar possíveis mudanças para as novas edições do Enem diante da reformulação.
"Vamos aguardar a reforma do ensino médio. Seguramente o Enem virá para assegurar essa reforma, mas só vamos falar do Enem 2017 depois do Enem 2016", disse Fini. Ela também fez críticas às tentativas de algumas escolas privadas em selecionar alunos para obter melhores resultados no Enem.
"A seleção de alunos é cruel. Não podemos permitir isso na rede pública em hipótese alguma e devemos combater inclusive a iniciativa privada que faz isso", completa.
Segundo a secretária-executiva da pasta, Maria Helena Guimarães, a data depende do andamento do debate sobre a base nacional curricular comum, documento que irá definir quais conteúdos que permanecem como obrigatórios para serem ensinados pela rede de ensino –o restante, de acordo com a proposta, deve ser flexibilizado e escolhido pelo aluno.
Até então, o governo falava em ter as primeiras turmas do novo modelo já no início de 2018, com possíveis testes no ano que vem por redes interessadas.
O governo também aproveitou a divulgação dos dados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por escola nesta terça-feira (4) para rebater críticas sobre a proposta, anunciada pelo governo no último mês por meio de uma medida provisória, hoje em análise no Congresso.
Na apresentação, Guimarães destacou que escolas com mais alunos de maior nível socioeconômico -indicador que considera escolaridade dos pais, posse de bens e contratação de serviços– apresentam médias maiores no Enem do que aquelas com mais alunos de nível mais baixo.
"Do grupo de alto nível socioeconômico para o médio há uma diferença de 100 pontos, que é muito grande e quase absurda", afirmou a secretária. "Ter mais de 100 pontos de diferença revela a enorme desigualdade no ensino médio. Muitos alegam que a reforma vai aumentar a desigualdade, mas é o contrário, ela vai promover maior equidade ao sistema. Os alunos dos estratos inferiores de renda nem se inscrevem para fazer o Enem. Que igualdade é essa?", disse, em tentativa de rebater as críticas de educadores que temem que o novo modelo acentue ainda mais as diferenças da rede.
Mesma posição foi apresentada pela presidente do Inep, Maria Inês Fini. "Os resultados vêm acrescentar mais uma vez a imperiosa necessidade de reforma do ensino médio. Temos contingente enorme de alunos que estão aprendendo muito pouco, e de maneira muito conservadora e tradicionalista e por um currículo que precisa ser reformulado", disse.
Questionadas, as duas representantes evitaram comentar possíveis mudanças para as novas edições do Enem diante da reformulação.
"Vamos aguardar a reforma do ensino médio. Seguramente o Enem virá para assegurar essa reforma, mas só vamos falar do Enem 2017 depois do Enem 2016", disse Fini. Ela também fez críticas às tentativas de algumas escolas privadas em selecionar alunos para obter melhores resultados no Enem.
"A seleção de alunos é cruel. Não podemos permitir isso na rede pública em hipótese alguma e devemos combater inclusive a iniciativa privada que faz isso", completa.
REFORMAS NO ENSINO MÉDIO
Principais mudanças propostas pela medida provisória do governo Temer
| COMO É HOJE | O QUE O PLANO PROPÕE | VANTAGENS | ENTRAVES |
|---|---|---|---|
| Carga horária mínima é de 800 horas anuais (ensino parcial) | Grade será ampliada gradualmente para 1.400 horas anuais (ensino integral) | Há evidências de que a carga expandida melhora o desempenho dos alunos | Modalidade integral requer um bom projeto pedagógico e gastos maiores |
| Alunos cursam 13 disciplinas obrigatórias nos três anos | Só parte da grade será igual para todos; depois, aluno poderá se aprofundar em: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e/ou ensino técnico | Flexibilizar a grade dá autonomia e atrai os adolescentes | Oferta de habilitações pode ser desigual entre escolas e redes |
| Ensino médio é dividido, em geral, em três anos | Escolas poderão adotar sistema de créditos em algumas disciplinas | Medida também dá mais liberdade ao estudante | Mudança depende de uma organização complexa das redes |
| Redes só contratam professores que passaram por cursos de formação de professores | Poderão ser contratados professores sem concurso e por notório saber para atender cursos técnicos | Ação ajuda a suprir demanda de professores na ampliação da modalidade | Qualidade dos profissionais e do ensino técnico pode diminuir |
| Educação física e artes eram obrigatórias em todo o ensino básico | Disciplinas deixam de ser obrigatórias no ensino médio; carga horária fica a cargo das redes e escolas | Diminui o número de disciplinas obrigatórias; conteúdos devem ser contemplados na Base Nacional Comum Curricular | Prejudica a formação cultural e a saúde dos estudantes |
| Governo federal tinha programas menores de incentivo ao ensino integral | União dará aporte financeiro por quatro anos a escola que introduzir a modalidade | Investimento incentiva instituições a aderirem ao ensino integral | Governo, que diz que valor vai depender da disponibilidade orçamentária, vive momento de cortes |
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