terça-feira, 4 de outubro de 2016

MEC rebate críticas e já fala em reforma do ensino médio só para 2019


Contribuição de Vera Barberino

Folha de São Paulo

Moacyr Lopes Junior/Folhapress
SAO PAULO, SP, BRASIL. 23.09.2016. Alunos da E E Alexandre von Humbolt, durante a aula de educacao artistica; o MEC faz reestruturacao do curriculo do ensino medio do pais e apenas dsciplinas como portugues, matematica e ingles continuarao obrigatorias. (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress,
Alunos da escola Alexandre von Humbolt, durante a aula de educação artística


Representantes do Ministério da Educação já cogitam a possibilidade de que o início do novo modelo de ensino médio anunciado pelo governo demore mais tempo do que o previsto e fique apenas para 2019.
Segundo a secretária-executiva da pasta, Maria Helena Guimarães, a data depende do andamento do debate sobre a base nacional curricular comum, documento que irá definir quais conteúdos que permanecem como obrigatórios para serem ensinados pela rede de ensino –o restante, de acordo com a proposta, deve ser flexibilizado e escolhido pelo aluno.
Até então, o governo falava em ter as primeiras turmas do novo modelo já no início de 2018, com possíveis testes no ano que vem por redes interessadas.
REFORMA DO ENSINO MÉDIO
"Não dá para pensar em implantar essa reforma antes da implantação da base nacional curricular comum. Isso demora. Acreditamos que só em 2018 ou 2019 será possível a implantação dessa proposta de reforma, como imaginamos que será a discussão e debate da base nacional comum", afirmou Guimarães, para quem a implantação também depende do alinhamento entre as redes de ensino.
O governo também aproveitou a divulgação dos dados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por escola nesta terça-feira (4) para rebater críticas sobre a proposta, anunciada pelo governo no último mês por meio de uma medida provisória, hoje em análise no Congresso.
Na apresentação, Guimarães destacou que escolas com mais alunos de maior nível socioeconômico -indicador que considera escolaridade dos pais, posse de bens e contratação de serviços– apresentam médias maiores no Enem do que aquelas com mais alunos de nível mais baixo.
"Do grupo de alto nível socioeconômico para o médio há uma diferença de 100 pontos, que é muito grande e quase absurda", afirmou a secretária. "Ter mais de 100 pontos de diferença revela a enorme desigualdade no ensino médio. Muitos alegam que a reforma vai aumentar a desigualdade, mas é o contrário, ela vai promover maior equidade ao sistema. Os alunos dos estratos inferiores de renda nem se inscrevem para fazer o Enem. Que igualdade é essa?", disse, em tentativa de rebater as críticas de educadores que temem que o novo modelo acentue ainda mais as diferenças da rede.
Mesma posição foi apresentada pela presidente do Inep, Maria Inês Fini. "Os resultados vêm acrescentar mais uma vez a imperiosa necessidade de reforma do ensino médio. Temos contingente enorme de alunos que estão aprendendo muito pouco, e de maneira muito conservadora e tradicionalista e por um currículo que precisa ser reformulado", disse.
Questionadas, as duas representantes evitaram comentar possíveis mudanças para as novas edições do Enem diante da reformulação.
"Vamos aguardar a reforma do ensino médio. Seguramente o Enem virá para assegurar essa reforma, mas só vamos falar do Enem 2017 depois do Enem 2016", disse Fini. Ela também fez críticas às tentativas de algumas escolas privadas em selecionar alunos para obter melhores resultados no Enem.
"A seleção de alunos é cruel. Não podemos permitir isso na rede pública em hipótese alguma e devemos combater inclusive a iniciativa privada que faz isso", completa.

REFORMAS NO ENSINO MÉDIO

Principais mudanças propostas pela medida provisória do governo Temer
COMO É HOJEO QUE O PLANO PROPÕEVANTAGENSENTRAVES
Carga horária mínima é de 800 horas anuais (ensino parcial)Grade será ampliada gradualmente para 1.400 horas anuais (ensino integral)Há evidências de que a carga expandida melhora o desempenho dos alunosModalidade integral requer um bom projeto pedagógico e gastos maiores
Alunos cursam 13 disciplinas obrigatórias nos três anosSó parte da grade será igual para todos; depois, aluno poderá se aprofundar em: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e/ou ensino técnicoFlexibilizar a grade dá autonomia e atrai os adolescentesOferta de habilitações pode ser desigual entre escolas e redes
Ensino médio é dividido, em geral, em três anosEscolas poderão adotar sistema de créditos em algumas disciplinasMedida também dá mais liberdade ao estudanteMudança depende de uma organização complexa das redes
Redes só contratam professores que passaram por cursos de formação de professoresPoderão ser contratados professores sem concurso e por notório saber para atender cursos técnicosAção ajuda a suprir demanda de professores na ampliação da modalidadeQualidade dos profissionais e do ensino técnico pode diminuir
Educação física e artes eram obrigatórias em todo o ensino básicoDisciplinas deixam de ser obrigatórias no ensino médio; carga horária fica a cargo das redes e escolasDiminui o número de disciplinas obrigatórias; conteúdos devem ser contemplados na Base Nacional Comum CurricularPrejudica a formação cultural e a saúde dos estudantes
Governo federal tinha programas menores de incentivo ao ensino integralUnião dará aporte financeiro por quatro anos a escola que introduzir a modalidadeInvestimento incentiva instituições a aderirem ao ensino integralGoverno, que diz que valor vai depender da disponibilidade orçamentária, vive momento de cortes

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